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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Mentira

 Hoje eis que sou convidado para fazer o que não gosto, falar da minha vida e de como eu sou. Só me restou a mentira e é bom que em algum lugar falamos a verdade para não se deixar levar pelo que inventamos. Minha supervisora acredita que eu sou um romântico, mas na verdade não sou tão romântico assim, até exagerei falando para ela que não sou nada romântico, disse ainda que pegava todes e que não namoro. De verdade eu não saiu por aí pegando todo mundo, mas acabo me relacionando com todes que demonstrem interesse e interessante por mim. O que quero dizer é que costumo a ficar com homossexuais, bissexuais, transsexuais e por aí vai, em resumo quando falo que pego todes digo que pego todas as letras da bandeira do orgulho gay. Disse que não me apaixonei, e que nunca me apaixonei por um homem ou por uma mulher, o que é mentira, já me apaixonei por poucas pessoas em intervalos longos. Disse que deixava as pessoas se iluderem por mim, é verdade, eu deixo as pessoas irem no que pensam até que descobrem a verdade. Disse que eu vou em baladas de São Paulo, mas não vou, só gostaria. Disse tudo que levasse a supervisora a diz que eu tenho a alma de um homem e que sou perigoso por essa questão. A verdade por trás de tudo é que eu não presto. E sei mentir muito bem.

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