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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

FICOU DESENTERESSANTE: engolir

Cada vez mais nu 

perante o espelho, 

cada vez mais transparente 

perante o panopticon. 

Cada vez menos interessante, 

sem enigmas e 

sem segredos. 

Eu perante mim.

Eu perante você.

Com todos esses olhares sobre mim. 

Todos esses olhares que me comem! 

Pensei que fossem muitas, 

muitas mais! (Ri). 

Então, é isso que é o inferno! 

Nunca imaginei...


Versão editada:


Cada vez mais desprovido,

Diante do espelho impiedoso,

Cada vez mais translúcido,

Sob o olhar do panopticon silente.


A cada dia, menos intrigante,

Sem enigmas e véus secretos.

Eu me revelo a mim mesmo,

Eu me exponho a ti, ao mundo.


Com tantos olhos a me sondar,

No âmago da minha essência,

Tantos olhares devoradores,

Oh, quantos esperava ter! (E sorrio).


Agora percebo, este é o abismo,

O que jamais ousaria imaginar.

Nesta introspecção dolorosa,

O inferno que em mim se revela.

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