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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PAUTA: bloco de notas



PREFÁCIO:

Aqui está o encarando o que se escreve como bom prefácio ao livro Pauta deste ano. É um padrão destes textos escrever o momento e a data que isto começou a ser pensado ou escrito. Este escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 14 de setembro de 2021, foi escolhido para prefácio, visto que nesta folha se sintetiza bem a ideia de todos os quinze capítulos que aqui estarão redigidos. Sim, é bem hilário e hilário. Esclareço que não me lembro de uma época em que minha escrita não fosse assunto de piadas, mas admito que até para mim soa engraçado e divertido está atividade.

Desde que minha mãe me deixou brincando em sua máquina de escrever da hamilton, quando eu tinha três a quatro anos, decidi dali escrever a partir de então. Ela também me incentivou dando-me muitos cadernos para escrever, segurando minha mão para fazer o meu nome em uma folha. Até que nos cadernos eu resolvi escrever sozinho o tempo todo e os levava para a escola. Só na quarta e na quinta séries meus professores notaram e resolveram perguntar o que eu tanto escrevia nesses cadernos, e eu os deixava ler. Eles conheceram um palhaço.

Também escrevi histórias sobre meus personagens no Windows XP do meu tio e meus tios me deixavam lá escrevendo o dia todo quando eu não tinha aula. Mas não pense que escrever tanto me fez saber escrever, na verdade aprendi a escrever com erros, com a minha forma fantasiosa demais para caber em uma folha e que fez disso o aprender a escrever pelo próprio modo fantasioso de escrever. Minha escrita sempre foi muito precária e refletia minha condição social, minha mãe trabalhava e eu ficava na escola praticamente o dia todo, em uma sala lotada em que os professores indiferentes não podiam realmente me ajudar, e quando minha mãe voltava do trabalho, ela também não podia me ajudar. Como eu aprendi? Eu simplesmente não aprendi de fato. Mas forjei meus vícios e entendi algumas regras com a ajuda de um Clip gráfico no Word do Windows XP do meu tio - enquanto meus primos não saiam do Paint.

Assim se fez minha estúpida e terrível escrita de Z-oro geração (lol) - ao que se entende como, aprender o que pode com um soft de escrita do que com o próprio congestionado serviço do governo -, que é o escrever despreocupado com coerência, significados, adaptações, normas, além de legitimar o ilógico, estúpido, perturbado, doentio, desprezível, disléxico, estranho, estrangeiro, sinistro, o excessivamente alucinado acompanhado de pensamentos abertos sem consideração ou sem compromisso com uma argumentação própria. Desistindo de sólidas revisões textuais e gramaticais bem rígidas. Permitindo espaço para conexões incoerentes entre pontos, articulações más e bem pobres, pontuações que podem escapar da norma (vírgula separando sujeito e predicado; e vírgula separando predicado e complemento com ou sem frequências), pronomes relativos inadequados (emprego de cujo com artigo, entre outros fatores). Tudo isso torna a escrita insegura de um manifestante diletante inútil (termo para um dos contos de Oscar Wilde), como um tal amador e desajeitado admirador da arte, que a usa para se expressar sem esperar uma consequência que torne sua manifestação relevante, ainda que reflita mais as múltiplas vozes que o influenciaram do que sua própria voz.

Mas será que vocês vão refletir muito para além do que se descreve no parágrafo acima? Tipo, essas referências e essas vozes do eu-lírico... Até que ponto o que escrevo não é sobre mim? Onde ele termina e onde eu começo? Porque até agora não descobri na minha escrita por onde deveria ele ter começado. Pelo visto até aqui tenho escrito somente sobre mim, e se aponto algo ruim, como a imagem de uma ruindade em pessoa, creio que isso é somente meu. Mas o que pode os fazer pensar o contrário? Se é que o pensam.

O que nestes textos parecem dizer sobre você? Por que a crueldade e seu lacaio estão no catálogo do eu-lírico? Estão eles realmente no texto? Por quê?

É realmente divertido tudo isso, se eu pudesse assistir minha vida me sentaria com calma e com um caderno para anotar e depois escrever ainda mais sobre tudo isso. O que me digo é "não espere que as pessoas te ajudem, porque ninguém nunca ajuda ninguém, vá e faça do jeito que dê o que sentir que deve ser escrito", infelizmente a vida em um país pobre, ainda por cima corrupto, é assim mesmo e para a maioria. Você vive a precaridade de todas as formas sozinho, de tal forma que não poderá olhar muito para fora, tendo que ficar de olho aí dentro de você. Então não espere por ninguém, as pessoas sempre serão de um único jeito - não se deixe levar a pensar o contrário. E ainda assim, sobretudo, se escreva.

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