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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
Destaques
PAUTA: algumas coisas
Não é novidade
Escrito original, parte de uma folha de uma carta endereçada para um poeta chamado Felipe, editado para este livro, escrito em 28 de Fevereiro de 2022.
"Caro Felipe, ao deparar-me com a grandiosidade de sua obra, senti uma urgência avassaladora em dirigir-lhe estas palavras. Ah, como eu desejaria que as pessoas não dessem a mínima importância às perguntas e tampouco se preocupassem com as respostas, como tão perspicazmente expressou em seus versos. Permitir que o passado se dissipe, deixando para trás as palavras mal proferidas. Existem verdades que ecoam e verdades que fenecem, contudo, ninguém se importa verdadeiramente, então pouco importa.
Nos tempos atuais, as pessoas matam em nome da pergunta e dissecam em busca da resposta, assassinam o que está escrito e se deliciam com o que escapa. Não há mais espaço para o diálogo autêntico, as desculpas se tornaram meras piadas passageiras de verão. Nenhum número é capaz de engendrar uma nova compreensão, pois não devemos nutrir esperanças de que aquilo que jamais será modificado venha a ser alterado, assim determinam os colossais. O que foi dito, está dito, e nada poderá modificar essa sentença. Permanece imutável, eternizado na pedra, sem que ninguém possa apagá-lo. Resta-nos aceitar que a escrita nos levará à morte, seja por meio de uma pergunta, seja por meio de uma resposta, seja por qualquer motivo, mesmo que o objeto já não exista nem subsista, pois isso não importa.
Sim, as palavras findam com um frio e indiferente "não importa". O que devemos considerar relevante nas palavras? Elas são como tudo agora, efêmeras, mas algumas palavras têm a solidez dos alicerces de uma narrativa sublime. Sua poesia, caro poeta, instigou-me a essa reflexão. E foi o belo poeta quem exterminou o literato deformado."
Escrito quase original, parte de uma folha de um mural, editado para este livro, escrito em algum dia de dezembro, 2021.
“Então li aquele capítulo revoltante e estremeci duplamente, pois ele de fato não era uma novidade para mim. Era melhor esquecê-lo, mas eu ouvira antes e também onde ele ocorrerá, dissessem as pegadas o que quisesse. Não há ninguém que possa me lembrar disso, meus sonhos são repletos de horror, devido algumas frases que não tenho coragem de (re)citar. Só consigo citar um parágrafo traduzido a partir de um latim vulgar...
‘As cavernas inferiores’, assim escreveu o árabe louco, ‘não são para os olhos que vem e podem compreender, pois seus prodígios são estranhos e terríveis. Maldito o chão onde pensamentos mortos vivem de novo e em tomados corpos grotescos, e diabólicamente a mente que não é segura por uma cabeça sã. Sabiamente disse um necromante que feliz é a tumba onde não jaz um mago e feliz a cidade a noite onde os magos são todos cinzas. Pois é um velho rumor que a alma comprada pelo diabo não surge do barro sepulcral, *mas cresce e instrui o próprio verme que o devora*, até que dá decomposição nasce uma vida horrenda e os comedores de carniça embotados da terra se fortalecem com astúcia, crescendo assustadoramente como flagelos e nela causando dor. Buracos são cavados em segredo onde os poros da terra deveriam ser suficientes, e seres que deveriam apenas rastejar aprendem a caminhar para atravessar outros mundos como tormento.
Logo em seguida o velho puxou o capuz e apontou para semelhança familiar no seu rosto, mas eu apenas estremeci, pois tinha certeza que o rosto era meramente uma máscara diabólica. Os animais desajeitados agora se caçoavam ansiosos contra as cianobactérias, e reparei que o próprio velho estava quase tão ansioso quanto eles. Quando um dos seres começou a se afastar gingando como um pato, ele se voltou rapidamente para impedi-lo, de maneira que a brusquidão do seu movimento deslocou a máscara de cera do que deveria ser sua cabeça. Então, já que a posição desse pesadelo barrava minha passagem para escada de pedra de onde tínhamos vindo, eu me joguei no rio subterrâneo oleoso que borbulhava na direção das grutas do mar, naquele caldo pútrido dos horrores interiores da terra, antes que a fúria dos meus gritos pudessem atrair para mim todas as legiões de ossuários que aqueles abismos de pragas poderiam esconder.
No hospital me disseram que eu fora encontrado meio congelado no posto de kingsport ao amanhecer, agarrado a um mastro à deriva que o acaso mandaram para salvar me. [...] Quando entrei em delírio ao ficar sabendo que o hospital ficava próximo do velho adro na colina central, enviaram-me para outro hospital, onde eu poderia ser mais bem cuidado. Gostei de lá, pois os médicos tinham uma cabeça mais aberta e até a me ajudaram com sua influência a conseguir uma cópia cuidadosa do livro mencionado pelos que se ligavam ao chamados e ritos dos meus ancestrais, eles disseram alguma coisa sobre psicose e concordei que era melhor livrar minha mente de qualquer obsessões que me atormentassem.”.
– Lovecraft, O Festival (texto alterado).
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; O Festival, tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 20-30, p. 29.
“À medida que lia ou ouvia os sonetos do senhor Ofby, o ambiente à sua volta foi desaparecendo aos poucos, e em seguida só o que havia em seu torno eram as névoas do sonho, as névoas púrpuras e salpicadas de estrelas que estão além do tempo, onde apenas os deuses de um círculo fechado e os sonhadores que o veneram fielmente caminham. Os deuses nunca morreram, estavam apenas dormindo o sono e sonhando os sonhos dos deuses em jardins hespéricos tomadas de lótus e que ficam além do pôr do sol dourado. [...] Os deuses são pacientes e dormiram bastante, mas nenhum homem e nenhum gigante poderiam desafiá-los para sempre. [...] O dia que o homem terá de responder por séculos de negação está para nascer, mas os deuses tornaram-se mais dóceis no sono e não vão jogá-los no abismo feito para os incrédulos. Em vez disso, sua vingança vai punir a escuridão, a mentira e a feiura, que viraram a cabeça do homem. [...] sonhos que os deuses enviaram através das eras para a terra para mostrar que eles não estão mortos... [...] Os deuses haviam enviado uma mensagem por meio de Shakespeare para dizer aos homens que a figura do flautista dos bosques não havia desaparecido, mas que estava apenas adormecido; pois é nas artes finas e eruditas que os deuses falam com os homens.”.
– Lovecraft ou Dr. Ofby? Poesia e os DEUSES.
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 180-181. (texto alterado).
“Escreva, escreva, escreva porque nas palavras e na escrita pode guardar traços divinos, por mais que outros fossem coroados, este eu mesmo coloco-o em locais distântes, para falarmos apenas por meio de sonhos, até que chegue a hora em que nossas vozes não fiquem mais em silêncio, pois chegará a hora do despertar e da mudança. Findando a terra vaga sem destino na sua dor, onde lá se fecharam os rostos da fúria para as ondas da nossa despedida varrer todo o nosso lar, salvo neste pico alto e inacessível. Neste mesmo instante e em meio a esse caos, preparar-se o proclamar de sua vida e ao mesmo tempo esconder a vossa chegada, pois trabalha um mensageiro que em sonhos estão todas as imagens que os outros mensageiros sonharam antes.
Escreva, escreva para que do curso desta guerra, meu queridissimo, meu queridissimo possa se afastar; Abençoe no vosso lar com a paz, enquanto eu, de longe, santifico seu nome como zela fervoroso.”
– Lovecraft, texto alterado.
“Agora eu também ouvi e tremia sem saber por que a aponta é bem mais abaixo, de onde um som de uma vítima com um copo de cerveja que, embora incrivelmente fraco ainda dominava até mesmo o cão, o coiote e a crescente tempestade, outro que não fosse eu não fazia sentido tentar descrevê-lo, pois ele era tal que alguma descrição era impossível, talvez ele fosse como o pulsar de máquinas no recesso mais profundo de um navio de cruzeiro, como eu o percebia daqueles com papéis, porém ele era tão mecânico, então ele diz que viveu de um elemento da vida e da consciência de todas as qualidades de vírgulas em sua distância para a terra foi o que mais me impressionou naquela minha mente em fragmentos de uma frase de um cara idiota, que também sou eu, que eu também recitei voando como efeito tremendo na vastidão da profundidade a veia incrustada no caráter de seu trabalho que tem uma profundidade maior do que a posse do médico de repente américo estou todo de pijama para que a frente de mim olhe para as pessoas com um estranho anel na minha mão e que se sente estranhamente a cada flash dos raios então olho fixamente na direção do posto da mina.”
– Lovecraft não falou isso.
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 192-200.
"Se devo morrer, refletir, essa caverna terrível e majestosa será tão bem-vinda como uma sepultura quanto o a qualquer cemitério de anônimos poderia me proporcionar uma ideia que trazia consigo mais tranquilidade do que desespero." — Lovecraft, texto alterado.
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 158-165.
"E quanto chamava, entretanto, tinha certeza de que as súplicas não tinham efeito algum e que minha voz aumentada é refletida pelas inumeráveis plataformas do labirinto escuro a minha volta não chegavam a nenhum ouvido a não ser os meus." — Lovecraft, texto alterado.
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 158-165.
"Minha audição, que sempre fora sensível e que agora está mais aguçada ainda com o silêncio completo da caverna, transmitiu para mim a compreensão entorpecida da consciência inesperada e terrível de que aqueles espaço não eram como de qualquer homem mortal." — Lovecraft, texto alterado.
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 158-165.
"Ali na porta gótica antiga havia uma figura humana. Era a maldade em pessoa. O cabelo longo era de uma matiz/tonalidade negra terrível e intensa - e de uma abundancia incrível. O pescoço era mais alto do que as dimensões normais; as faces encovadas/fúnebres e marcadas pesadamente com fúria; e as mãos longas e retorcidas como garras, e de uma brancura mortal num tom mármore/alvejante que eu nunca vira noutra pessoa. A sua figura, magra ao ponto de parecer um esqueleto, era estranhamente curvada e quase perdida dentro das dobras volumosas da roupa peculiar das trevas. Mas o mais estranho eram seus olhos, duas covas gêmeas de uma falta de pigmentação insondável, completamente mortiças, profundas na sua expressão de incompreensão, sobretudo desumanas no seu grau de maldade. Elas estavam agora fixas sobre mim, trespassando minha alma com seu ódio e me prendendo ao lugar onde estava, imobilizado."
– Alquimia, parafraseando e transcrevendo, projeções da sombra no literato (?). Prosa-ready-made (válido?).
LOVECRAFT, H. P.; A tumba e outras histórias; tradução de Jorge Ritter. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 173.
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