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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

INUTILE-DILETTANTE: diálogos

Diálogo 5

Uma conversa diletantista inútil sem sentido com uma pipoqueiro do jardim da praia, no auge do centro comercial e perto de uma fonte que a família sapo construiu.
- Fui a uma cidade vizinha de Omcní, Vankantillet, um lugar onde reinam os angélicanos, e levei comigo uma escritura, que era uma merda projetada, para fazer com que os ares de Vankantillet se sobrepusessem às minhas fortes características de Amon. Amon, nesta linguagem de forasteiro, significa escondido ou oculto. De qualquer forma, descobrir que o que eu tinha escrito não era Vankantillet de forma alguma. Foi como ter colocado uma fotografia sobre um quadro. No entanto, eu não podia escrever merda alguma enquanto estivesse em Vankantillet, porque os personagens não passariam de simbólicos, reduzidos a símbolos. Se Omcní e Vankantillet não se combinam, os habitantes de um e do outro não se entenderão.
O homem das pipocas ficava interrogativo enquanto o sujeito falava de lugares que claramente não existem e outras palavras que não faziam sentido, mas ele ficava de olho no que o sujeito dizia, já que não havia fluxo no jardim e a clientela estava terrível. O homem gordo continuou:
- E a merda que tentei escrever foi meu romance chamado ‘Orna’, mas eu sou da classe inferior, onde há uma consciência da afinidade do romance com as classes abastadas. Sujeitos que vivem toda sua vida desacorrentados do solo, porque não trabalham e porque não precisam trabalhar, é dotado de movimentos livres que sou incapaz de imaginar. Um desses movimentos é o romance que é definido com uma certa aparência e formato relacionados à história e ao desenvolvimento da burguesia. Hoje é a predominância da pequena burguesia que dá corpo ao romance. Hilariantemente, tanto quanto o burguês e o burgonete, este último significando uma atualização do pequeno barão, baronete, mas na classe burguesa, ou seja, o pequeno burguês, que é responsável por dar corpo e forma ao romance, embora o romance não expressa a consciência real ou possível desta classe, mas predomina sua estrutura de valor puramente individualista típico de seu momento histórico. Esta pipoca é ótima!
Perguntou o homem das pipocas:
- Com o que o senhor trabalha?
Respondeu o diletantista comendo pipocas rosadas de doce, enchendo a mão e deixando pequenas pipocas cair pela lateral da boca:
- Eu sou um professor. E estou muito inspirado pelas reflexões de Forster, eu estava conversando sobre isso com um barman na última sexta-feira à noite. Forster não tolera os eruditos de estudos, os discutidores do que não leram, os teóricos do que não entenderam, um diletantista inútil também. Portanto, ele não se preocupa com a cronologia, com as escolas literárias, com as diferenças entre poesia e prosa, com a primazia inexistente da epopéia sobre a tragédia ou vice-versa, com as origens burguesas da vagabundagem. Suas reflexões, como a de um diletantista inútil, crescem com o material que ele divertidamente recolhe de suas leituras – semelhante a estas. Como muito pude colher de um estudo sobre a morte daseinsanalítica e o destino excepcional do agente e da voz. Por isso, quando se parte para examinar diretamente um tema tanto de Forster como do Diletantismo Inútil, é preciso fazer uma viagem pelo tempo e pelo espaço, que são componentes de sua história.
O homem da pipoca ainda interrogativo prestava atenção. Enquanto o gordo comia a pipoca de modo afobado e guloso simultaneamente falando:
- Sinto-me inteiramente confortável em dizer que com Forster consegui entender a enorme diferença entre o protagonista da vida, da história e o personagem do romance, mas ainda assim, confesso, sou incapaz de colocar em prática ou expor em uma palestra. Vejam os grandes romances e sua paixão alegre pela vida, são casos que se desprendem das páginas para nos revelar algo, fazendo nossas as meditações deles. E paradoxalmente não podemos nos entender, a não ser de forma rudimentar e breve. O que chamamos de intimidade é apenas um derivado, o conhecimento perfeito é uma ilusão. E nisto também acreditam os inutil-diletantes. Há uma vida motivadora no romance porque na maioria das obras literárias há muitos elementos que são individuais e humanos e elementos vagamente chamados de arte, os temas que são permitidos elaborar o conceito de enredo do romance têm origem na psicologia dos homens em geral e têm a devida expectativa de que o leitor faça o que não chegamos a entender corretamente, a diferença entre vida e literatura. O que estou tentando expor é que o romance é muito complexo e não sou capaz de fazer Orna um romance legítimo.
Perguntou o pipoqueiro:
- O senhor é louco?
Respondeu o diletantista:
- Não sei. Mas já estive prestes a ser admitido no asilo “pós-mecânico”, digo, hospital psiquiátrico...
Foi interrompido, disse o pipoqueiro:
- Deveria ter sido.
Respondeu logo em seguida:
- Tem razão, a comida no hospital psiquiátrico era muito boa. Mas um japonês deu-me alta. Ele não me queria lá, por isso afastou-me de lá, disse que não era um lugar para mim, que eu devia apenas assumir a minha loucura, como a Madonna.
“Mas quando paro para pensar nas razões que me fizeram parar duas vezes em um hospital psiquiátrico e levado alta nas duas ocasiões, obviamente ocasionadas pelo aumento do estresse, penso que a missão de cada jovem não é apenas dizer a seus pais para ir a merda, mas a cada professor para ir para o inferno. Mesmo quando eu sou esse professor e se um aluno meu não ter coragem de me dizer para ir para o inferno, considerarei minha missão um fracasso.”.
“Eu penso que a educação está além de um controle completo e um domínio estreito, a educação está como um mar aberto que vê-se permitido fluir na lua cheia; Educar não é corrigir ou lapidar, porque lapidar areia uma parte e corrigir reprime um poder ser. Educar está como permitir-se ver que não se pode educar, que os braços não podem alcançar cada pérola que trás um estudante.”.
O pipoqueiro expressava está exausto de ouvir e prestar atenção no homem forte que começou a rir sozinho, e disse o diletantista:
- Penso em algo como obras pandêmicas que seriam o que eu acho mais fascinante nesses acontecimentos sobre a loucura. É quando você é um psicótico e diz a seu amigo neurótico que é amigo de um fantoche, sendo o próprio psicótico que manipula o fantoche, então, o amigo neurótico começa a conversar com o fantoche, como se ele fosse uma pessoa real, sendo o sujeito quem sempre manipula o fantoche, então ocorre algo assim do amigo neurótico “Você sabe, fantoche, eu acho o [a pessoa que manipula o boneco] muito insegura.”. E o fantoche responde e o diálogo prossegue. No final o manipulador do fantoche diz “Olha, você conhece meu amigo fantoche? Então, sou eu” e o amigo neurótico responde “Eu já sabia...”. E este evento é fascinante. Eu o vejo como incrível demais.
O diletantista rir de si mesmo, a feição do pipoqueiro é interrogativa e com um impulso de ousadia o pipoqueiro pergunta:
- O que é isso que tanto fala? Deletantismo Inútil?
O diletantista fica surpreso e responde com muito carisma e humildade:
- Bem, meu caro, depende para quem você pergunta. Se perguntar a um certo ser humano “O que é o Dilettantismo Inútil”, ele responderá num campo de golfe de forma agressiva e brusca, bastante benigna e vaga, “Bem, não sei, como é engraçado perguntar, um diletantista é um diletantista. Bem, eu não sei. Suponho que ele faz arte, por assim dizer.”. Mas se perguntar a um ser humano que responde enquanto conduz um ônibus intermunicipal, ele responderá: “O que é que o diletantista inútil faz? Hora, ele faz merda, claro. E eles não me interessam se não forem desse jeito. Eu gosto dessa merda. Muito mau gosto da minha parte, sem dúvida, mas gosto dessa merda, podem ter a sua arte, a sua literatura, a sua música, desde que me dêem muita merda. Gosto de muita merda, quer seja merda ou não, entende? E a minha mulher também gosta.”. E se perguntar para um terceiro cidadão, com uma voz sucumbida e angustiada dirá: “Oh, sim, meu caro, sim, o Dilettantismo Inútil é um estilo de escrita fora das normas neuróticas e nos limites dos padrões psicóticos”. E esse terceiro que fala sou eu mesmo. E eu gostaria que não fosse assim, que pudesse ser algo diferente.
Pipoqueiro ficou reflexivo, com olhos serrados olhando para o diletante. Aproveitou outro impulso e fez mais uma pergunta:
- Qual é a posição política desse sujeito aí, o Deletantista, Dentelantista, Diletantista Inútil?
O homem gordo tomou uma longa bebida de uma pequena garrafa de água potável vendida pelo próprio autor da pergunta, enquanto sinalizava com a mão para o seu colega esperar por sua resposta, tal como foi feito. Disse ao terminar de beber e fechar a garrafa:
- Para responder precisamos pensar na questão “O que está acontecendo com o nosso país?”. Eu digo minhas suposição para o que está acontecendo. Um senado e câmera de deputados recheado de baratas liberais que representam excelentemente bem seus eleitores. Digo que isso é reflexo da restrição ao acesso a educação de qualidade e restrição a compreensão de bibliografias letradas. As pessoas não possuem consciência de classe, pior, não possuem consciência da posição social do seu país, que é uma posição precária, sem tecnologia, com poucas estatais, portanto, pobre. Você faz parte de um país pobre, não tem sentido nenhum votar em partidos liberais que vão deixar seu país cada vez mais pobre. Além do mais, no futuro próximo, se isso não estiver acontecendo agora, prevejo que haverá divergências dentro da própria esquerda, dentro do grupo progressivo. Se é que isso ainda não estar acontecendo. Dirão quem é legítimo para votar no eleitor progressista e quem não é legítimo para votar nele, e por mais que ele vote, não há espaço para que ele se integrar no movimento proletário. Em outras palavras, “vote, descanse, mas saiba que você não é bem-vindo em nossas manifestações e eventos políticos que organizamos” disse o progressista que teve a pergunta do eleitor casco igual a mim “mas, por quê?” e recebeu a resposta do progressista “porque simplesmente não simpatizo com você, com sua conduta e com suas palavras, que digo que não representam e não obtêm nenhuma afinidade com os preceitos de nosso movimento” e insistiu o casco “mas por que eu não?”, ele tentou novamente, “eu sou um trabalhador classe baixa, venho de uma família trabalhadora, mas não posso votar no partido trabalhista?” e o progressista respondeu “Sim. Suas atitudes e seus pensamentos não tem nada a ver com nosso movimento, com o nosso partido. Vá procurar um buraco para se rastejar, miserável hanseníase. Seu trabalhador sujo! E só é isso tudo porque age e pensa como uma infecção prol o neoliberalismo, por mais que diga votar no partido progressista. Ilegítimo manifestante”. E assim os cascos deixaram de votar nos partidos progressistas para pagar multa de três e cinquenta, porque não eram acolhidos pelos partidos, não tinham aulas de bases teóricas do partido quando se filiavam e quando chegavam humildes eram varridos para fora do partido. Solidariedade, pedagogia, integridade, é necessário.
Respirou, foi tomado por um tom poético e recitou na forma dânti, típica de um leitor de João do Rio:
- Mas quer saber... Bom...
Não há maior fonte de amor
Do que a da condessa à maralda
Quem ama por nada
Um vassalo que vem...
Do seu cansado dia de trabalho
Para lhe tirar os pés
Que a senhora cheirando bem tal cheira mal.
Não há maior amor do que este que
Suga com as suas narinas
O cheiro dos pés descalços do
Soou com um trabalho ardente,
E depois cheira-a imediatamente
Na sua roupa interior,
Uma cafungada no saco.
É o cheiro da condessa.
O pipoqueiro riu, embora não tenha entendido, por parecer um poema muito vulgar e infantil e a forma que recitou o sujeito, achou engraçado.
Então o homem das pipocas analisou o visual do diletante, somente nessa altura. Sua aparência, botas fratelli casuais estilo coturnos de cano médio cor caramelo, uma calça jeans escura  de boca fechada e grudada às pernas finas, com uma camiseta larga longeline preta por debaixo de uma camiseta de botão xadrez amarela que não acompanhava a extensão da primeira. Gordo e não parecia se importar com quem estava a olhar para ele. Um Diletantista Inútil se caracteriza como aquele que deixa hesitar, não como Hamlet, mas sim deixando a indecisão arruinar seu propósito. Falou:
- Minha monografia/escrita é tão profundamente compreensível quanto o Retrato de Dorian Grey de João do Rio. Uma forma de se formar em erudição é só ler a tradução de João do Rio do Retrato de Dorian Grey, da Martin Claret. É a tradução aportuguesada que eu mais achei difícil ler. Ler o livro do Dom Quixote da Editora Montecristo está mais fácil do que ler a tradução do João do Rio pela Martin Claret. O livro da Montecristo é disponibilizado na plataforma e-book gratuitamente.
“As correntes letradas, eruditas e poéticas cabem somente e exclusivamente e fechadamente a atividades tediantes, monotonias, extrema preocupação se consegue ou não manter a merda instalada, como também a lealdade, franqueza, sinceridade, escarmenta. Essas oitos qualidades são exclusivas aos extremamente letrados.”.
“Os cidadãos comuns, que vivem com a sua alma carsini, fora do rigor de uma conversa e diálogo científico, apropriaram-se das teorias dos senhores de alma de ouro, reproduzindo suas palavras, referências e expressões que são, de forma velada, distribuídas pelos meios de comunicação social e aparecem nos discursos da publicidade e da vida quotidiana em geral, tornando-se quase como um domínio público, como se todos pudessem exatamente saber o que esses termos designam. O Diletantismo Inútil declara às esses meios de comunicação que tais domínios não significam nada. Já experimentamos o produto e ele tem nenhum gosto.”.
Bebeu mais um gole da sua garrafa de água potável, prosseguiu:
- Os jovens de classe alta e classe média alta certamente devem optar por Paulo Cecconi. Atualmente todo sujeito de rede social se expressa como um gentleman, hipócritas e moralistas. Enquanto que um estudante de literatura optaria por João do Rio, como um upgrade da ‘classe dânti’, não por esse ter uma cadeira na Academia de Letras, mas por ser quem ele é. Digo por mim, e por minhas precipitações opinativas. Obviamente um diletante como eu tem extremo respeito e admiração por Rio, muito que se é como wildeano, aos moldes do Lorde Arthur Savile, se deve a ele, mas não se pode ficar de mão fechada para não rir dos seus caprichos exorbitantes aportuguesados na pauta exibida pela malvada Claret. E o problema está na última e não no primeiro.
Riu e o pipoqueiro ficou sem entender, volto a falar como quem não fala nada:
- Por mais que eu tenha caído duas vezes em João do Rio, pela péssima Martin Claret, editora que minha classe não simpatiza tanto, como a Intrínseca.
Fez uma face de desaprovação ao dizer o nome dessa última, voltou:
- Igualmente caído pela Nova Fronteira, digo, em termos de qualidade para essa última, de qualquer forma cair em bom João por meio do Retrato de Dorian Grey e outra pela definada tradução de Decadência da Mentira. Confesso que não iria me ver frustrar se estivesse lendo o retrato traduzido por Jorio Dauster. Já que aprecio a Nova Fronteira, em todos os seus sentidos de nome. Falei tudo isso uma vez rindo de mim mesmo para uma vendedora de uma livraria em um bairro elitista, Martins Fontes, que certamente me considerou um louco. Me dê uma cerveja, por favor, camarada.
O homem das pipocas entregou uma loira trincando. Disse espontaneamente o diletante:
- Pois o aspecto culto e polido deles é o meu eu ignorante, estúpido, grosseiro, bronco. Que mesmo sem saber ler e escrever, sem dominar ou controlar, os seus famosos conceitos e ideias, é deformado para se declarar como a si próprio pela expressão singular do iletrismo, iletraso, analfabeto e sem literacia. Ou seja, sem domínio e controle se expressa [deformado]. Um mutante, alienígena, monstro. Vou lhe contar uma história sobre eleições. Notei que você gosta de política.
O gordo tomou um longo gole da cerveja e falou:
- Acordou rápido para encontra-se caído de joelhos na esquina da rua, baixou a cabeça entre os braços que agora o seguravam. Seu vestiário, preto. Estava na esquina da rua e nenhum transeunte lhe perguntava o que estava de errado. A questão é que este cara teria que votar, mas sua vida era uma bagunça para pensar em quem. Com grande esforço, ele se levantou da esquina da calçada. Ele começou a andar com as mãos nos bolsos, seus passos eram lentos e calmos, ele não mostrava nenhuma agitação, ele parecia estar refletindo neste momento, ele olhava para o chão e havia diferentes cartões de santinhos "sagrados", indicações de candidatos, números e tudo, parecia uma boa saída. Ele se agachou para olhar, então, optou pelo cartão de santinho "sagrado" com sua cor favorita, embora só houvesse em maioria cartões de cor azul, verde, vermelho, amarelo, sua cor favorita era púrpura, entre todas, encontrada uma em um canto que passava a vista, aproximou-se do "santo", levou-o encharcado da rua molhada e beijada pela chuva. Felizmente não havia o papel caído em uma poça, características comuns das calçadas de sua cidade, santo vai, santo volta e o pavimento ainda estava acidentado com buracos, mais adequado para um mergulho do que para uma caminhada. Neste tempo em que falei o assunto já havia se encaminhado para seu colégio eleitoral onde ele procurava sua zona e sessão, mas só encontrou os voluntários com má vontade, não importando um pouco com os eleitores e passando informações completamente erradas, mas o cidadão não os procurou, confiou mais nas placas e seguindo os sinais encontrou um bando de baratas tontas, o trabalhador voluntário. Ele foi para a fila de espera. Ele foi atendido por um excelente inspetor que lhe pediu seu título, seu documento de identidade e perguntou-lhe sobre sua colinha, que foram os primeiros que nunca deixaram sua carteira, com algumas exceções, em razão do peso em sua carteira, o cartão sagrado repousava no bolso da calça, dali não se deixava. Ele entrou no estande e seguiu fielmente as indicações de sua cor favorita, deixou o estande com sentimento de orgulho, havia votado no completo estranho que encontrou na rua que havia sido dirigido-lhe por sua cor favorita. Um querubim observador das nuvens comentou consigo mesmo: "Se os candidatos soubessem a influência da cor, não se limitariam as mesmas a cada ano de eleição.".
E o diletante riu de si mesmo e de sua história. O homem das pipocas se manteve sério, dando um sorriso de leve para ser simpático. Perguntou:
- Por que o senhor é assim?
O diletante terminava em um gole sua cerveja e o questionador já lhe entregava a próxima. Abriu, tomou um gole longo, disse:
- Em razão da exclusão. Isso me incomoda muito. Os garotos têm os maiores tesão nisso e desfrutam com o maior orgulho a manutenção de suas intolerâncias e seus processos de exclusão. Se isto não estiver claro, eu posso representá-lo melhor. O sujeito diz: “Não suporto a maneira como o Sujeito-Tal fala, com aquele tom sempre grosseiro, tagarela, insuportável, não faço o menor esforço para entender o que uma pessoa deslocada como ele fala, por mais que ele tenha sempre a oportunidade de dizer algo que eu desaprovo, ah, como ele faz. Espero que ele se foda, ele se dê muito mal. Quero vê-lo foder-se a si mesmo. Eu quero que ele seja expulso do curso. Não suporto vê-lo falar sobre votar no mesmo partido que eu, para mim ele só cabe no partido oposto, ter um cara como este no partido ao qual pertenço só pode ser uma piada. Se ele fosse invisível, seria mais agradável ou se ele fosse quieto eu poderia suportá-lo mais”. Esse sujeito julgado sou eu e essa fala é de um colega da faculdade. Assim notei que a maioria dos processos são excludentes, se não de modo consciente, inconsciente.
O pipoqueiro balanço levemente a cabeça como que demonstrando compreensão, embora entendesse pouco. Perguntou enquanto o gordo bebia sua cerveja:
- O senhor é casado?
Respirou fundo o diletante. Respondeu:
- Estou em um relacionamento sério com os meus delírios. Uma vez o Diabo perguntou "Como é ficar nela?" e o Bufão respondeu "Isso me dar raiva"; Mais uma vez o Dia. "Como é ficar com ela falando com você em você?" e o Bufão, "É torcer para me tornar um perverso. Planejar um homicídio perfeito, sobretudo, sobrará para a imaginação afeticamente doente. Torço e almejo para que ela morra todos os dias. Já fiz até fentiçaria, mas ela só caiu da bicicleta. Deveria ter se quebrado. Como eu queria que ela se rompesse.". O Dia. se sentiu pequeno para o tamanho do amor do bufão.
O Diletantista começou a rir do que ele mesmo falava. O pipoqueiro expressava não entender nada. Então, ousou o homem da pipoca mais uma vez:
- O que motiva o senhor a fazer essas coisas?
O diletante riu, tomou mais um longo gole da cerveja e ia para a terceira cerveja dizendo:
- “Quem é sua influência?” perguntou o leitor à criatura-rara literária, mas estranhamente o literário começou a chorar, e chorou como se a guerra inacabada tivesse terminado, e enquanto chorava, para responder aos gemidos, lamúriava e gaguejava. Disse trêmulo o literato, "O amor ...". Neste instante ele soltou os maiores gritos de ganido histérico, respirou fundo como se estivesse saindo de um mergulho de pressão profunda, gemeu lamuriadamente, concluiu "Ofício". Todos da plateia se abismaram, pois agora estava claro, visto que em outros termos esse significava: Lovecraft. Como isto aconteceu, a criatura das letras não explicou, claramente não sabia como explicar ou por onde começar, uma vez que sua estante estava cheio de obras de Oscar Wilde e em outro momento o número mínimo de livros do dânti havia saltado para uma proeminência superior que de oito por nove, este número é explicado porque um livro é duplicado em sua instante. Os livros do porco contam cinco, mas para o homem literário eles têm mais visibilidade, ou seja, maior freqüência de leitura e releitura, algo no livro sempre o chama para ser revisto. Ele não estava mais entusiasmado com a arte da vida e da vida artística, agora as profundezas obscuras das obras de alguém podre o levava para conhecer estranhos, obtendo assim mais de sua atenção. A criatura das letras tinha mais estudos na prateleira sobre o letrado aversivo do que do príncipe feliz.
“Ele se lamentava porque sabia que o recluso da província o havia capturado pelos espelhos das páginas de suas obras de ódio e aflição, um santuário de sangue e dor. Ele suspeitava que era por causa de sua baixa auto-estima ou sua excessiva auto-crítica. Podia dizer-lhe que já estava cansado de ficar trancado em seu quarto, rechaçando a autoridade de suas tias opressivas e a submissão passiva e inútil de sua mãe. Claramente ele tinha uma semelhança com a angústia do homem literário porco, tal que agora lia com mais freqüencia, mas ao contrário do porco ele via vantagens em estranhos, ele esperava a amizade e afinidade com estranhos, o outro não era um desafio para ele, o desconhecido lhe divertia, ainda que lhe magoasse. Como se um encantamento fosse visto com todos os seus traços ameaçadores. Além disso tudo, um diletantista inútil é motivador a ser melhor que Joãozinho Trinta e a Glória Peres”.
- Hum... – Respondeu em tom refletivo o pipoqueiro sempre respeitoso sentido que sua pergunta não havia sido tão bem respondida. Voltou o homem das pipocas: - Não entendo muito bem o que o senhor fala.
O diletantista riu levemente e respondeu:
- Não se preocupe em entender, meu caro, eu não falo nada com nada. E todos nós, de certa forma, somos como o cônjuge da ansiedade. Queremos entender, dominar e controlar o que está acontecendo, seja em nossas ações ou expressões. Isso é universal e é a razão pela qual a base de um diletante deve ser fluvial. Alguns de nós simplesmente não se importam em saber, entender, controlar ou dominar mais nada. Em nós, há apenas uma curiosidade primitiva e, portanto, julgamentos literários são irrelevantes. O diálogo só tem um mérito: fazer a audiência desejar entender o que está acontecendo.
“O pensamento está presente em nossas mentes e muitas das nossas conversas e ações são baseadas nessa suposição, mas nem tudo é assim. Parece haver algo mais na vida além do tempo, algo que não pode ser convenientemente medido pela intensidade. Nem a memória nem a antecipação estão muito interessadas no tempo. Todos os sonhadores, artistas e amantes estão parcialmente libertos de sua tirania. O tempo pode matá-los, mas não pode prender sua atenção. No momento da sentença, quando o relógio da torre reunir suas forças e bater, eles podem estar olhando para outro lado. Assim, a vida cotidiana é praticamente composta por duas vidas: a vida no tempo e a vida dos valores.”.
Tomou um gole da sua cerveja, contínuo:
- Eu vi apenas por cinco minutos, mas valeu a pena. A lição que tiro da vida diária é que sempre é possível negar o tempo. Mesmo que sejamos incompreendidos e enviados para o que eles chamam de manicômio, podemos concordar com isso e viver de acordo com nossos próprios valores. É importante lembrar que o diálogo não deve ser limitado por nossas próprias limitações.
“Disse-se que se tem uma mente trivial e um estilo pesado, não se sabe construir e não se possui nem desprendimento artístico nem paixão. A paixão é bastante vulgar e todos os poderosos montes, vales e abadias arruinadas clamam por ela, mas ela sempre parece artificialmente sem jeito. Tenho um coração comedido, sentimentos cavalheirescos e uma afeição inteligente pela província, mas isso não é base suficiente para grandes artistas.”.
Terminou a cerveja em um longo gole, dizendo em seguida:
- Portanto, ao nos esforçarmos para compreender um diálogo, devemos ter em mente essas diferentes perspectivas sobre a vida e a arte. Mantenho-me muito bem dentro dos limites simples de minha arte e mesmo dizendo coisas que não têm relação com o desenrolar da fala, eu as digo. “Kunst macht gunst”, que significa “devo insistir no assédio ao acesso do coração de Isabela”. Não estou interessado em razões, elas despejam-se de cambulhadas sem se incomodar em elucidá-las. Me abrando na emoção e na superficialidade do julgamento, que não acrescenta muito, não nos dá algo muito importante como uma personalidade forte de um autor. Sua personalidade, quando ele a tem, é transmitida através de instrumentos mais nobres, tais como as personagens, o enredo ou os comentários sobre a vida. O que a narrativa realmente faz nessa função particular é transmitir-nos, leitores ou ouvintes, para os quais uma voz fala, a voz do narrador da tribo agachado no meio da caverna e dizendo uma coisa depois da outra até que o auditório adormeça entre seus despojos e ossos. A ordem das palavras nas frases também é abolida, eliminando-se a ordem das letras e sons das palavras, como o magnífico chofer do ônibus. Por favor, meu jovem, me dê outra cerveja puro malte.
Foi o diletantista para a terceira cerveja. Colocou a questão o pipoqueiro:
- Da onde o senhor tira essas coisas?
Riu levemente consigo mesmo o gordo. Respondeu:
- Estou sob o efeito do leve álcool, da psicose, da neurose, se isso for possível, e de obras como "Aspecto do romance" de Forster, Editora Globo de 1970. Uma hora a fonte vem da neurose, outra da psicose e outra dessa obra magnífica. Cabe ao bom ouvinte desvendar.
Riu. Ficou intrigado o pipoqueiro, disse:
- Eu que não vou ser. Deus me livre.
Riram. Voltou o diletantista a diletantar:
- O diletantista estará recorrendo à vossa inteligência e imaginação, não simplesmente à vossa curiosidade. O diletantista arranja uma porção de massas verbais, descrevendo a si mesmo de modo geral. A grosso modo, sutilezas virão mais tarde. Dá-lhes isso e aquilo, determina gestos plausíveis e as fases, fala por meio de aspas e talvez comporta-se desconsistentemente. Essas massas verbais são suas personas. Elas não chegam assim frias à vossa mente, podem ser criadas em delirante excitação. Um diletante é baseado nos delírios mais ou menos x, sendo a incógnita o temperamento do Dilettantismo Inútil, e essa incógnita sempre modifica o efeito das alucinações e algumas vezes as transforma inteiramente em realidade. A vida oculta é, por definição, velada, e quando se mostra através de sinais exteriores, não é mais oculta; já entra no domínio tosco da ação.
Tomou um gole da cerveja, continuo:
- A função do diletante é revelar essa vida oculta na sua fonte de alucinação, mas não de um diletante inútil. Constra-nos mais sobre a princesa Tulipa do que se poderia saber e, deste modo, compor uma pessoa que não é a princesa Tulipa em sua história. Tudo o que é observado num homem, quer dizer, suas ações e a parte de sua existência espiritual que pode ser deduzida de suas ações, cai no domínio dos controladores. Mas seu lado diletante inclui as paixões genuínas, sonhos, alegrias, tristezas, meditações que a polidez ou a vergonha impedem no dimensionar. Expressar esse lado da natureza humana é uma das principais funções do diletante, seja ele inútil ou não. Foi-nos dito sobre elas tudo o que pode ser dito: nascimento, alimentação, sono, amor, morte. Qual o seu papel em nossas vidas e qual o seu papel no diletantismo? Duas entidades que nos poderiam esclarecer seriam o bebê e o cadáver, mas não podem fazer nada, pois seus aparelhos para comunicar as suas experiências não estão sintonizados com os nossos aparelhos de recepção.
Pegou mais um saco de pipoca. Respondeu enquanto preparava o pipoqueiro e entregava, intercalando com uns gole na cerveja:
- Ao diletantismo é permitido não lembrar e boa compreender tudo, se isso lhe convém. Ele conhece toda a vida oculta, sem a conhecer. Quando seres humanos amam, tentam receber e também dar alguma coisa. Este duplo objeto torna o amor mais complicado, egoísta e autoritário. Ao mesmo tempo, por mais que se especialize no assunto, isso não atrofia inteiramente o outro. Quanto tempo toma o amor? Essa pergunta pode parecer grosseira, mas deve ser feita porque está relacionada com o nosso presente. Nós sabemos que, quando está inventando fielmente, a paixão nos impele para além das improbabilidades. Entretanto, nem copia o sono, nem o cria. Trata-se de uma das ilusões ligadas ao amor: ele será permanente. O futuro vai ser tão diferente. Surgirá a pessoa perfeita ou aquela que já conhecemos se tornará perfeita? Não haverá com as mudanças nem a necessidade de vigilância?
Acabou em um gole a cerveja. Ficou só com a pipoca, comia com pressa. Disse o diletantista enquanto comia de modo afobado:
- A figura do Inutile-dilettante preenche o livro que leva seu nome, como um personagem que se revela em cada aspecto, entre a vegetação e os segredos que o cercam. Somos nós mesmos uma obra de arte, com leis próprias que transcendem o cotidiano, e é ao vivermos de acordo com essas leis que nos tornamos reais na narrativa da vida. Mas quando consideramos as relações humanas em si mesmas, fora da contingência social, somos assombrados por um espectro, um fantasma que nos impede de nos compreendermos plenamente. A intimidade se mostra apenas como um expediente temporário, pois o conhecimento perfeito é uma ilusão, uma quimera. Somos seres de vidas secretas, invisíveis aos olhos alheios.
Acabou com o pacote de pipoca dizendo:
- Os Inutile-Dilettante, em meio a uma ardente contenda, arguem acerca da hipótese de arrebatamento da realidade tangível e assunção em psicose, bem como a eventual possibilidade de alguém ser restituído de um transtorno psicótico e transmutar-se ao convívio domiciliar. Indagam, então, se, mediante esta conjectura, seria factível a nossa própria compreensão mútua no dia a dia ou se haveríamos de nos moldar às prerrogativas de nosso criador.
Arrotou. Parecia tonto. Disse:
- O Inutile-Dilettante, cara, é como uma cerca maluca, tipo sem proteção como as placas de trânsito. E cê sabe como é foda quando a gente tenta descolar as ripas dela pra levar pra outro lugar. E ainda assim, o que sobra parece tudo igual. Mano, é um negócio bizarro como as peças no palco ficam melhores do que quando tão só no escritório.
Peidou. Disse:
- Caralho, será que eu devo ficar de bodegas mesmo com subterfúgios e esconder a merda que tá dentro do meu coração? Tipo, apontar pro que cê faz, pra onde cê vai, pras lorotas que cê fala ou pras coisas que cê quebra, tudo isso é só pra esconder a merda que tá dentro do teu coração. O que cê diz só é percebido pelo olho emocional do leitor e não pelo olho físico, porque esse só pega a repetição de um nome próprio
O pipoqueiro ficou durante esse tempo todo com cara de interrogação, braços cruzados e pernas juntas para baixo do seu banquinho. Disse o gordo:
- Os Inutile-Dilettante se inebriam em divagações sobre a esterilidade da normalidade neurótica, os quais jamais alcançam o anseio por desenvolvimento autônomo, sendo incapazes de criar uma aura própria, formada por pequenos discos luminosos aptos a serem programados por chips, espalhados pelo vazio cósmico ou entre as estrelas, de modo a se configurarem de forma satisfatória.
Pareceu menos tonto. Pipoqueiro nós intervalos entre as falas só dizia “hum”. Continuou o diletantista:
- Tanto os mais velhos e refinados quanto os menos evoluídos têm a indestrutibilidade como a principal justificativa para a criação de uma obra de arte. Todos nós, de fato, almejamos livros que perdurem infinitamente, que sejam portos seguros e que abriguem personagens permanentes.
“Hum” disse o pipoqueiro com sobrancelhas curvadas. Contínuo o diletantista:
- O Inutile-Dilettante espera que um crítico possua um olhar rigoroso sobre a rotina, tendo paciência para lidar com interpretações da natureza humana. Mas, afinal, que escapatória lhe resta? Um dos nossos mais afamados escritores é, em verdade, um crítico, e a passagem de seu texto que agora citarei com fervor telepático põe em evidência os argumentos contra a representação de personagens insípidos.
O pipoqueiro teve a impressão de o sujeito está falando, sem o menor critério, o que passava na sua cabeça. ”Hum”. Continuo o diletantista:
- A teatralidade de Julita revela as complexidades da mente humana comum. O que o autor afirma pode até ser verdade, mas jamais será a verdade absoluta. Devemos, afinal, reconhecer que as pessoas em si mesmas não são realizações tão notáveis como aquelas que são mais bem-sucedidas em termos cômicos. Eu sou amigável, mas eles não devem me aborrecer. Por isso, Julia foge com o namorado, enquanto Maria, desventurada em seu casamento, escapa com um amante.
O diletantista parecia tonto, disse, nitidamente sobre efeito do álcool:
- As definições explícitas fazem com que nada mais tenha que ser dito, mas as palavras, embora negativas, nos lembram que seu estado normal está novamente em primeiro plano e, em uma única frase, ela é levada ao extremo. No entanto, continue escrevendo com consciência e competência, pois a qualquer momento seu criador pode arrancar a caneta de suas mãos e tomar notas ele mesmo, deixando-a onde quiser e ocupando-a com qualquer coisa. É como oferecer uma bebida a alguém para que ele não possa criticar nossas opiniões, mas as regras do jogo da escrita não são ditas e os críticos estão mais inclinados a objetar do que os leitores.
O pipoqueiro o cortou:
- Vamos. Levante! Vou levar o senhor até o táxi logo ali.
Levantou com muito esforço o gordo, o guiou até o táxi e no caminho o diletantista falou:
- Às vezes somos mais estúpidos do que neutros e conseguimos penetrar na mente das pessoas, mas nem sempre, porque nosso próprio intelecto se cansa. São as confidências sobre pessoas individuais que realmente ferem e afastam o leitor da merda para analisar a mente do diletantista. Pouco é descoberto nela e, nessas circunstâncias, para evitar estar em estado crítico, o simples processo de dizer “venha aqui, vamos conversar um pouco” já esfriou.
O pipoqueiro fechou a porta do táxi. Partiu o diletantista.

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