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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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INUTILE-DILETTANTE: diálogos
Texto 1
Uma pessoa pobre, como eu, pode pensar em fazer mestrado, e digo por mim e como minhas impressões, é quase que uma opção para se passar fome, novamente, realço dizer este texto por mim. Isso é, não me sinto convidado e acolhido pela comunidade acadêmica, tão pouco pela literária, grupos muito arrogantes e cheios de ego, normatizações e mecanicísmos. Por isso me comprometo com o inútil. Um não-escritor, mas sim Diletante Inútil, um não estudioso, mas entusiasta inútil.
Esta é a verdade que muitos não conseguem me falar, que sou o tipos de pessoa que não pode fazer tudo que sente vontade de fazer, porque, desde os meus ancestrais, possuo um lugar fixo na sociedade, um lugar baixo, o lugar da cova aberta empobrecida que é onde posso ficar e trabalhar, mudo, cego, imóvel, como os mais ricos e corajosos puderam me falar. Ocasionalmente é também o lugar acorrentado ao solo, que é onde não posso me mexer, falar, aparecer. Me chamar de artista é quase como um insulto, já que me chamar assim é me igualar a uma classe de pessoas inteiramente vaidosas e hipócritas que riem do pobre passando por dificuldades financeiras, biomédicas, psicológicas. Um plano de fundo em decadência humana, junto a padronização de valores ao plastticismo-apático, que seria a adaptação ao apátismo. O artista e a ocupação da arte cabe somente aos mais ricos que se relacionam entre si, como realçam suas magníficas capacidades de escrever certo, não inventar palavras e não fazer associações de palavras de modo desarticulado. Já a mim cabe a classificação orgulhosa de charlatão, latão, inútil, nada, desprezível, asqueroso, tenebroso, terrível, excluído, tal como esses perfeitos titãs me disseram. Prestigiado pela pena sem propósito, pois bem, não sinta pena.
Sim, eu posso participar, sendo somente e exclusivamente o retardado admirador da arte dos que vivem no mais alto, como me disseram. Digo, aquele que entra no salão e não entende nada do que tá olhando na sala. Orgulhosamente, esse sujeito anda pelos corredores com um leve sorriso ao rosto e ninguém fala com ele, já que sabem muito bem o que suas expressões corporais indicam. Os olhos brilhando de contidas emoções, sentimentos ali refletidos de que nada está entendendo, visto que não há nele bases suficientes para ter capacidade alguma de entender, ou o que os magnânimos celestiais chamam de associar, até mesmo se estivesse com o melhor dos mediadores. De qualquer forma, como inspiração ele as absorvem, criando significados próprios e confusos, apenas para tais citar equivocadamente mais tarde. Horas essas, esse sujeito sou eu! Sou eu sim, no MASP, na bienal de arte de 2016!
Tenho consciência de que meu lugar é esse, meu lugar de ser um diletante, um admirador de quem quer que seja que o poderosíssimo fez ao ofício da arte. Mesmo assim me orgulho, me orgulho de fazer merda e a ver como ilegível arte, nada além disso pode ser o que crio, e não legítimo ninguém a dizer o contrário, dizer seria como ofender-me diretamente. O que realizo faço-o da forma que pude me educar e da maneira que pude me ensinar, não posso mudar o que, junto com o destino e minhas condições, se construiu sento o iletrado, conformemente o iartístico. Por isso aceito ser o que posso e posso apenas ser o que estou sendo. Não posso alongar muito meus braços, meus braços são pequenos demais para alguns alcances.
Nessa razão, Eu determino o que sou e estou sendo. Por enquanto só posso estar sendo um Diletante Inútil. Porque minha admiração pela arte não passa de nada menos e nada mais que nada. Muitos podem vir me dizer que existem pessoas com muito menos do que eu e que fazem, mesmo assim, muito mais, mas essa é outra existência que não a minha, tal aspecto que muitos esquecem de considerar. Na singularidade de cada pessoa, cada pessoa atravessa suas dificuldades de uma forma peculiar. Me comparar parece uma enorme tolice, como alguém que quer ensinar um sujeito a atravessar um rio por ele mesmo nadando na correnteza.
A classe de Diletantismo Inútil, qual proclamo, me coloco e me chamo, é uma classe orgulhosa de pessoas que não se preocupam com os enormes, normas, padrões, significados estabelecidos de modo capitalista, fama, coerência, nutrição de letramento, engordamento de erudição, controle estreito. Mas sim têm apreços pela bizarrice, psicose, neurose, espontaneidade, entusiasmo, automatismo, emocional. Constitui-se sendo o desmontar da pirâmide de Gustav Freytag, embaralhar das letras de Alice Adams, é escrever errado, e se na ocasião sentir precisar, corrigir da forma que lhe convém.
Obviamente é ser completamente emocional e sentimental, assumir suas doideiras, neologismos como portas para explorar significados íntimos, seus pensamentos corriqueiros, automatismo, seus impulsos emocionais, que rejeita todo tipo de racionalidade e equilíbrio, ridiculariza as normas condicionadas pelas relações da civilização capitalista, condutas mercenárias e mercantilistas, tudo somente pela literatura, ou seja, pela construção de textos literários, fantasiosos, bizarros, incompreensíveis. E se na ocasião não se considerar esses textos literatura, que sejam eles iliteratura. Digo, pensando muito nas passagens do senhor João Cabral De Melo Neto. E não deixando a desejar a intromissão do Diletantismo Inútil nas produções acadêmicas, sem ferir a ABNT, mas a driblar sutilmente. Sendo que o Diletantismo Inútil uma linha literária que, lendo muito das manifestações do dadaísmo, eu mesmo me coloco. Em síntese pode-se dizer que é fazer arte, mais uma arte muito profundamente espiritual e nada reveladora, o que seria o mesmo que dizer que quando vinda à luz só se pode ser merda.
Texto 2
HOMO-SYMBOLICOS?
Minha aproximação com o dadaísmo começa sob a influência do meu tutor do ensino médio, embora suas expressões artísticas sejam mais próximas do surrealismo. Assim como minha aproximação com a geografia, embora minha preferência tivesse sido estabelecida, a partir daquele período, em geografia crítica, pela influência também de outro professor, meu professor de geografia. Ambos os momentos aconteceram em 2015 e se estenderam até os últimos anos do ensino médio, para crescer ainda mais dentro de uma eletiva, do qual participei, Espaço Vivo, que seria o mesmo que espaço vivido e para mim posso dizer que é uma apropriação do espaço, ou seja, a constituição do lugarlugar, lugar simbólico, mesmo porque todo lugar é simbólico, a partir do que simbolizei ao ler João B. F. Mello. Embora eu tivesse a presença da arte surrealista e dadaísta na eletiva, minha mistureba com esses elementos atuaram mais dentro da geografia, onde declaro a variedade da relação com o espaço pelos vários tipos de arquitetura, diversas formas de ler mapas, diferentes formas de revitalizar um lugar, uma coisa fascinante. Um pensamento do lugar nos moldes da simbolização artística, um lugar que é feito em um espaço que tem um significado pessoal, portanto, criativo. Muitas vezes de uma forma dadá ou surreal, ou como for a quem, em um território, o espaço atravessa. Posso dizer que sou mais dadá que acadêmico e por isso, julgo, que acabei fazendo vários trabalhos dadá na universidade, o melhor sobre o título Efemeridade Turística. Onde as normas egocêntricas da comunidade intelectual é ridicularizada, agredida, destruída, como a norma estabelecida pela relação de mostrar hiper domínio de canônicos ou do fundacionismo, expondo algo inusitado, declarando os absurdos que os dados, de uma sociedade neoliberal em decadência, oculta. Ocasionando a incompreensão do leitor pelo efeito-labirinto, satirizando por parafrases, parafrases que servem bem como ready-made, invenção de palavras, ou seja, neologismos, rejeição do equilíbrio intelectual contínuo para haver uma montanha de emoções expressas, associação de palavras, exploração dos significados próprios. E tudo isso sem ferir diretamente as normas da ABNT.
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