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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Espetáculo relâmpago do chulé-agradecimento para a próxima futura monografia

Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 07 de Janeiro de 2023.

Isto será um agradecimento à moda Dadá, porque eu amo o que não vejo. O que mais esperar de você (leitor) ou qual é a sua expectativa em mim? Portanto, para começar, agradeço ao dicionário místico, que é de onde vem o termo Dadá, que tem um significado muito simples — conforme Hugo Ball no diário "A Fuga para Fora do Tempo" no ano de 1916. Em francês, significa "cavalo de paus". Em alemão: "Não me aborreça, por favor, adeus, até a próxima". Em romeno: "Certamente, é claro, você está absolutamente certo, é assim mesmo. Sim, senhor, realmente. Nós cuidaremos disso". E assim por diante. É isso aí!

Deixei tudo isso escapar enquanto escrevia em uma noite do meu 25º aniversário, porque estava pensando: "o que posso fazer para preencher estas páginas vazias? Conhecer estranhos sinistros? Beijar uma garota? Tomar lítio? Sentir as ideias? Ter tremores?". Por isso agradeço ao enigma, pois é melhor viver ao seu lado do que decifrá-lo em um minuto, mas principalmente por você conseguir reunir páginas escritas nas primeiras horas de algum dia, tal que este autor se embaralha na sua piscina de solitude surreal. Isto é, o expressionismo épico interrompido pelo processo interno e depois contraposto pelo impressionista, ou seja, quando alguém come uma maçã idêntica à realidade em uma manhã, mas sem esperar o metabolismo agir, ele vomita imediatamente para expressar como seu eu interior pode facilmente manchar o mundo exterior (normalizado). O que isto significa? Nada. Nadadadás, um espetáculo relâmpago onde a fantasia não é deixada pela mão aberta, pois não se sabe onde a psicose termina e onde a realidade começa, ou então, o livro termina e o leitor começa, me ajude Théophile Gautier ou sua Morta Amorosa.

E, é claro, as opiniões e os sentidos neste fantasma-arquivo não são para verdades absolutas, nem mesmo para serem verdades intactas, preservadas com o tempo, porque, nunca um comprometedor ao Inutile-dilettante — uma moda do Lorde Arthur Savile, um indivíduo pelo qual muito sou grato — cede o conteúdo da fantasia. Sou também grato ao Sr. Risperidone, a quem aconselho a não considerar aqui o momento em que cito o nome do literato em questão, pois estou apenas citando-o para falar mais sobre mim mesmo. Outro ponto, este conjunto de textos permanecerão por muito tempo como argumentos pobres psicóticos ou argumentos de um psicótico pobre, já que produções em momentos como estes não são, de fato, nada para serem concluídas, nadadás, dadaística. Produções alienígenas deste autor em automatismo artístico, entusiasmo fluoxetinazante, improvisações com muitos erros, ridicularização das normas condicionadas pelas relações da civilização capitalista, em escrita automática, erros de ortografia, semântica, concordância, coerência, maldita vírgula, temporalidade, tudo que o tempo comeu, comido, pac-man. Talvez aqui apareça o próprio diletantismo inútil, como um gênero adequado e generoso para estas produções subnutridas, sésamo (LOL). Para se entusiasmar mais com os possíveis novos textos, você sempre será apresentado à biblioteca como um donkey kong.

Às vezes olho o céu e vejo o horror e terror cósmico e penso que o genial da ficção é que pode se tornar realidade, caro Sr. Olanzapine e Sr. Haloperidol, aliás, meus agradecimentos a ambos. Explico, mas para dar uma ideia do que quero dizer e agradecer no mínimo de três páginas, em condições reduzidas, é mais ou menos impossível, por isso darei meu melhor: — Monstros, personagens os quais tão grosseiramente se lê e escreve como criaturas pejorativas, estacionadas a classificação fechada de monstruosas, tal como apresentado no objeto de estudo do Adriano Messias; Lovecraft, por outro lado, faz com que estas imagens, sem perceber, pareçam uma grande ideia de defesa e um belíssimo mecanismo de enfrentamento. Por exemplo, o monstro é invocado por um sofrido e perseguido (meu) grupo étnico que procura formas de se defender contra um grupo hegemônico euro-estadunidense, um meio para os enfrentar. Nada melhor do que um monstro para defender o acesso a uma área. Ninguém entra neste lago porque há um monstro, ninguém vai lá porque há um monstro, ninguém diz uma certa palavra porque um monstro pode aparecer. A condição hedionda afasta as pessoas, e nisto o monstro preserva a sua zona de conforto suja, o seu Hotel Transylvania. Os monstros podem ser tão nojentos e odiosos como são frágeis e infelizes, tendo em vista as feridas que possuem, ditos de Freaks por Tod Browning ou dos roteiros de David Safier. Embora os monstros sejam facilmente desmascarados, até mesmo por um dogue alemão ou por um cão sem raça definida de tons rosa-manchados. Igualmente, monstros são facilmente esquecidos e podem ser mortos, ressuscitados, varridos para fora do centro urbano, quer dizer, se houver uma tocha na sua mão para os empurrar. Por isso, com honras, sou grato à ficção que pode ser realidade e aos monstros que podem ser boas metáforas das condições solitárias e hediondas da minha precariedade socioeconômica.

Muito se tem viajado nesta jornada de leituras e escritas — principalmente quando é a minha escrita —, portanto, além de agradecer aos meus amigos da medicina, o dicionário, o enigma, o Lord Savile, também agradeço por minhas neuroses e psicoses dedicando à bruxa — minha alucinação ou imagem de dor — a canção "Here It Comes Again" de minha banda favorita na adolecência, Korn: — "Martelando, elas começam de novo" é como minhas vozes vêm, "Magoando, oh, por onde cameçar? / Gritando, elas dançam ao redor da minha cabeça / Confusas, elas poderiam acabar mortas" talvez já estejam, "Sentindo-se agitado, o que posso dizer? / Realmente fodido novamente (sinto que posso lutar) / Não posso ceder, caralho (sinto que posso lutar)". "Nunca posso ganhar", sim você pode, "vou manter isso na minha mente / Aí vem ela de novo".

Agradeço também a minha história em qual consolidou minha amada leitura deformada e monstruosa, a minha escrita torta e repugnante como um efeito da história e de uma época em que a precariedade quantitativa e qualitativa do sistema público de ensino básico se revelou insuficiente nos seus fundamentos. Desta forma, fez de mim alguém que se autodeclara como não sendo capaz de ler e escrever de acordo com os padrões do que fala mais perto de cem por cento direito/bem, portanto, um sujeito do iletrismo. Este autor é sujeito do iletrismo, pois cem anos de república tinham sido completados e a esmagadora maioria da população brasileira, que não sabia ler e escrever, era vista como nada. A alfabetização e letramento – que significam muito mais do que o conceito censitário de saber ler e escrever – estava concentrada numa luz extremamente centralizada na universidade e na burguesia, enquanto o acesso à leitura e à escrita eram proibidos para a maioria marginalizada. Ainda hoje o são, porque ou se compra frango ou se compra um livro, digo por mim.

Agradeço aos seus olhares, pois continuam a olhar para esta unicórnio-deformação com lentes discriminatórias, rotuladoras e de exclusão, mas foram os burgões (hambúrgueres gigantes) e burgonetes (pequeno burguês) que causaram esta bela deformação desde o momento em que começaram a poluir o nosso ecossistema-psíquico e ambientes sócio-políticos com ideias como "combater a extensão do voto ao iletrado", "contra a inclusão do iletrado no corpo eleitoral brasileiro", "alegada imaturidade dos analfabetos", "concessão do direito de voto ao iletrado", "contra o voto no/do iletrado". O estreito e minucioso controle burguês que pintou as ruas portuárias e os rios de cava subaquática de industriais farelos cinzas. Do mesmo modo, a literatura foi repetidamente negada aos poucos letrados, devido principalmente à sua "incapacidade", como eles próprios diziam. Mas os menos letrados, de qualquer forma, fizeram circular sua literatura e seus escritos — tal como é este livro —, pois os deuses antigos atendem somente as nossas devoções.

Finalmente, agora é hora de dizer boa noite. Boa noite, durma bem. Agora o sol apaga sua luz e um ruído se resigna de novo ao ato irracional. Cedo às emoções e a paranóia começa a surgir em mim para que pequenas vozes comecem a dizer: "Todos estão lá para serem falsos, tramando constantemente contra você.". Portanto, meus agradecimentos ao Dr. Levozine e Srta. Sarai Stinger, minha amada e muito linda mãe, por não deixar as coisas irem longe demais e por enxerem minhas prateleiras com livros do Shakespeare e Oscar Wilde.

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